Clínica Raskin: Residência Médica é descredenciada por irregularidades
A Clínica Raskin, de Campinas, teve seu o Programa de Residência Médica em Oftalmologia descredenciado pela Comissão Nacional de Residência Médica, órgão do Ministério da Educação (MEC). A notificação foi feita à instituição de saúde na última semana, embora a decisão já tivesse sido tomada pela Comissão no dia 8 de maio, quando esteve reunida em Brasília.
Com o descredenciamento, os 11 residentes de Oftalmologia já estão desobrigados de comparecer à clínica e de continuar prestando serviços. Os médicos têm o direito de ser remanejados para outros programas de residência em Oftalmologia existentes no País. Além disso, deverão continuar recebendo, via Raskin, a bolsa mensal de residência médica, no valor atual de R$ 1.916,45, durante todo o período que ainda resta até a conclusão da residência.
Entenda o descredenciamento
No final de 2006 a AMERESP tomou ciência de irregularidades praticadas graves dentro do Programa de Residência Médica da Clínica Raskin. Essas irregularidades foram, então, denunciadas no início de 2007 ao Sindicato dos Médicos de Campinas e Região (Sindimed). Representantes do Sindimed e da AMERESP levaram o problema à Comissão Estadual de Residência Médica do Estado de São Paulo (CEREM-SP).
A CEREM-SP realizou uma vistoria na Clínica Raskin em abril: verificou, in loco, as condições a que os residentes eram submetidos no dia-a-dia, além de entrevistar os responsáveis pelo programa de Residência Médica e os próprios residentes em Oftalmologia. Além da CEREM-SP, participaram da vistoria representantes da AMERESP, do Sindimed Campinas, do Cremesp e do Colégio Brasileiro de Oftalmologia (CBO).
As denúncias, checadas e comprovadas, foram encaminhadas ao Plenário da Comissão Estadual de Residência Médica e, então, seguiram para a Comissão Nacional de Residência Médica, único órgão com autonomia para (des)credenciar programas de residência brasileiros. Por unanimidade, a Comissão Nacional decidiu pelo descredenciamento.
Denúncias
Entre as denúncias apresentadas pelos residentes da Raskin, uma das mais graves é a falta de acompanhamento das atividades realizadas cotidianamente. O atendimento aos usuários da clínica era feito, na maior parte do tempo, sem a supervisão obrigatória de um professor experiente, o chamado “preceptor”. O residente é um médico ainda em formação, não especialista, e não pode assumir sozinho a responsabilidade de um pronto-socorro, por exemplo.
Texto atualizado em 14/06/2007